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A arte de ser artista:

Lula Cardoso Ayres pintava a partir da matéria, foi na cerâmica popular do interior de Pernambuco que encontrou o vocabulário que definiria sua obra, transferindo para o desenho e a tela os volumes maciços e as texturas que tanto o consagraram. Esse diálogo aparece em telas nas quais a estaticidade das figuras revela uma aproximação silenciosa com o cubismo sintético.
Sua pintura caminhou livremente entre a figuração e o abstracionismo. Trabalhou a figura em busca de sua síntese máxima fazendo a cor ganhar primazia sobre o desenho, e alcançou uma esquematização quase geométrica das formas. Mais tarde, em suas mulatas, almas, noivas e portões de casarios revelou um imaginário tão inventivo quanto enraizado na cultura popular.
A partir dos anos 1970, sua paleta se tornou ainda mais ousada: cores fortes e contrastantes, emolduradas por largos contornos em preto, deram forma a paisagens imaginárias inventadas que parecem saídas de um sonho coletivo. Entre o óleo, o guache e a aquarela, Ayres construiu assim uma obra de traços finos e marcantes, onde cada tela é, ao mesmo tempo, síntese plástica e celebração da cultura de seu povo.

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